 |
Visitas Hoje: 27 (unica:12) Total de Visitas: 7091602 (unique:7065042) Recorde em 1 Dia: 13393 (unique:13276) |
 |
|
 |
|
|
CABEÇAS ENCOLHIDAS
|
|
A origem de um ícone dos anos 50
|
victor_rockets 17 Jan : 17:15
|
|
CABEÇAS ENCOLHIDAS
Bem... muitos de vocês já viram no meu carro uma cabeça encolhida pendurada no retrovisor, e muita gente ainda hoje me pergunta a história e a origem daquele “ornamento”! Pois bem: Essas cabeças tem uma história das mais tenebrosas, mas o importante mesmo é que se tornaram uma febre à partir da década de 50, quando os filmes de terror trash estavam em alta e Vicent Price era campeão de audiência entre os teenagers, chegando a lançar no final da década, uma linha de brinquedos que incluía uma cabeça encolhida de borracha e um Kit que possibilitava qualquer um fazer uma “Shrunken” com uma maça! E imediatamente virou febre... acessório indispensável dos retrovisores mais “quentes”, principalmente no Sul da Califórnia.
Mas vamos começar pelo começo: a cabeça encolhida é uma espécie de amuleto dos povos indígenas da América Central e América do Sul, mas a “cabeça encolhida” ou “shrunken head” ficou famosa mesmo por conta dos índios Jivaros!
Os Jivaros são povos aborígines que vivem nas encostas orientais da cordilheira dos Andes Peruanos, no sudeste do Equador e ao norte do rio de Marandon. Os Jivaros (do espanhol Jibaro – que eu tentei descobrir o que é mas não achei nada...) se auto entitulam "Shuara". Então vejam bem... os outros chamam os Jivaros de Jivaros, que na verdade são “Jibaros” mas na verdade eles se chamam “Shuara”... vai entender... mas enfim, os Jivaros estão divididos basicamente em 5 grupos diferentes e que se inter-relacionam: O Jivaro propriamente dito, o Antipa, o Achual, o Huambiza e o Aguaruna.
Os Jivaros vivem da caça, coleta de frutos e tem rudimentos de agricultura tropical na floresta. São povos guerreiros, com um cultura que envolve sacrifícios sangrentos, deuses do bem e do mal, costumes bem estranhos e com certeza muita hostilidade. São acostumados ao combate e as tribos até hoje quase não tem contato com a civilização. Os governos Andinos praticamente as ignoram, já que estão incrustadas no meio da Floresta, divididas numa espécie de feudalismo rudimentar e não fazem a mínima questão de contato externo (queria ver o pessoal do MST chegando lá....). Suas armas incluem além dos tradicionais arcos, flechas e lanças, zarabatanas (aquele canudão da onde saem dardos envenenados).
Quando alguém da tribo tem um problema a resolver, seja por vingança, ou por medo de vingança ou ainda qualquer outra bobagem (lembrem que eles são guerreiros e adoram uma boa briga) procuram seus respectivos feiticeiros, e num ritual que envolve ingestão de ervas alucinógenas e uma “bad trip” no meio da floresta, buscam orientação espiritual e nem é preciso dizer como tudo acaba....
Então quando alguém é morto, o assassino deve passar por uma outra cerimônia, elaborada para proteger a si e sua família de serem assombrados pelo espírito do seu inimigo: Após a matança, o guerreiro é temporariamente expulso da tribo e um esqueleto é pintado no seu corpo. Esse período de tempo em que é mantido ausente da tribo deve durar o suficiente para que seja considerado purificado. E é nesse período que a cabeça de sua vítima passa por seu próprio ritual, para enfim transformar-se em uma “cabeça encolhida."
Encolhendo as cabeças
Primeiramente, o Jivaro corta a cabeça fora do corpo. A precisão é quase cirúrgica. Com algumas incisões, o crânio é removido pela garganta. A pele da face e os cabelos ainda presos ao couro cabeludo são mergulhados diversas vezes em água fervente, juntamente com algumas ervas, dentre as quais está o misterioso "huito", guardado como um segredo pelos Jivaros e que os próprios antropólogos modernos não sabem dizer o que é... alguns dizem ser o extrato vegetal do yanamuco, que daria a coloração preta à pele e a protegeria da ação do tempo. Mas vamos em frente.
Depois que essa parte de ferver e secar a pele da cabeça varias vezes, o crânio é devolvido e colocado sobre o alto de uma lança estacada no chão para secar durante a noite, as orelhas são removidas, e a boca e as pálpebras costuradas.
A cabeça então é colocada ainda úmida entre rochas quentes (aquecidas pelo fogo) e seu interior é preenchido com a areia quente, substituída diversas vezes. Isto sim, com certeza faz com que a pele da cabeça encolhida fique preta, e tem o efeito de derreter as camadas de gordura dentro da cabeça. Depois que isto tudo acontece, a pele encolhida acaba com uma consistência similar àquela da carne de sol, ou ainda dos “beef jerky” tão comuns nos EUA.
Depois que este processo é terminado, a cabeça encolheu tanto que pode chegar quase ao tamanho de uma pequena maçã. Em seguida, a cabeça encolhida é remoldada, a pele ajustada ao crânio, preenchida com algodão, palha ou similar e a garganta é costurada fortemente.
Os Jivaros acreditam que com as extremidades costuradas, as pálpebras, boca e garganta, o espírito da vítima é prendido dentro da cabeça encolhida, e é incapaz de escapar para assombrar o guerreiro. Finalmente esta grotesca cabeça encolhida recebe o nome de “Tsantsa”, ou “Chancha” passando a ser considerada um troféu de guerra. O guerreiro exilado então recebe dos sacerdotes a cabeça encolhida (Tsantsa) e sendo considerado purificado, é recebido pela Tribo.
Os Jivaros acreditam que o guerreiro que aceita o Tsantsa terá boa sorte e que esta representa grande coragem e valor de seu dono.
Comércio de cabeças encolhidas
Lá pelos idos de 1800 e lá vai bolinha com aquela moda de expedições à Floresta Amazônica, caçadas e safáris, começaram a aparecer as primeiras cabeças encolhidas no mercado. Aos poucos colecionadores de todo o mundo passaram a se interessar cada vez mais por costume indígena pouco ortodoxo e não demorou muito para as exóticas cabeças encolhidas custarem uma pequena fortuna. Incentivados pela ganância, alguns brancos se aventuraram e conquistando a confiança dos Jívaros, aprenderam o processo de mumificação de cabeças e começarem eles mesmos a encolher cabeças de desavisados viajantes, que eram posteriormente vendidas no mercado negro para colecionadores endinheirados.
Lógico que tendo sido a cabeça encolhida por um traficante ou por um autêntico Jivaro, os índios levavam a culpa por todas as mortes, fazendo com que os Jívaros alcançassem notoriedade internacional e houve época que no interior do Equador e Peru, as pessoas tinha medo de andar nas ruas mais desertas.
As coisas só se acalmaram um pouco quando autoridades eclesiásticas católicas, (afinal Peru e Equador são paises católicos), ameaçaram excomungar os comerciantes, caçadores, ou quem quer que seja que possuíssem um destes tenebrosos amuletos.
A medida deu certo, o tráfico cessou e as cabeças sumiram do mercado. Hoje em dia, o comercio de cabeças encolhidas se resume às réplicas feitas com pele de animal por indígenas equatorianos, e vendidas por algo em torno de US$50,00, mas que mesmo assim são realistas demais para o meu gosto. E se você souber de uma cabeça encolhida original, tenha certeza que ainda vai encontrar algum fanáticos colecionador disposto a gastar uma boa quantia.
Réplica de Tsantsa
Em Curitiba uma dessas cabeças encolhidas tidas como original, podia ser vista no Museu de História Natural da Praça Generoso Marques, porém , com seu fechamento o acervo está pelo menos por enquanto, indisponível. Já a exposição itinerante “Amazônia Desconhecida”, mostra várias peças do artesanato da extinta tribo Mundurucu, e algumas cabeças encolhidas.
Quem quiser mais alguns detalhes sombrios e mais realistas do que me parece necessário contar, consulte o link abaixo, de onde tirei alguns trechos dessa matéria.
http://www.sobrenatural.org/
Victor “the Rockets”
|
|
|
>> Listar artigos nesta categoria
<< Voltar à página principal de artigos
|
|
 |
 |
Este artigo foi avaliado:           6.8 - 16 votos
|
|
 |
| |